A vida é, muitas vezes, comparada com os quebra-cabeças devido a sua complexidade. Porém, no jogo, tem-se um modelo programado para seguir a montagem das peças, o que não acontece na vida.
Não se tem como saber se há alguma peça faltando ou sobrando. Ou, se ao fim, o resultado será agradável ou não. Vivem-se meses para descobrir que algo estava errado e, então, consertar. E é aí que está a beleza.
O que é mais belo e divertido que lutar para reparar seus erros e para enfrentar suas dificuldades? O que fornece forças para seguir em frente é exatamente isso. Deixar de viver e permanecer apenas nos lamentos, fará somente com que o sentimento ruim continue.
A imprevisibilidade é muito grande para estar despreparado para certas ocasiões.
Vive-se sempre da alegria e da tristeza. Ambas sempre juntas, pois sem uma, não existe a outra. Porque vivendo sem tristezas não absorvemos nenhum conhecimento. E permanecer com falta de alegrias é burrice.
(via meninadapanela)
Foi só mais uma decepção, então não tinha mais nada que eu pudesse fazer a não ser lidar novamente com a dor. Eu já estava me acostumando com aquilo, começava a acontecer com mais frequência, uma substituía a outra.
Meu melhor amigo. Estávamos juntos, mais próximos que nunca. Eu estava mal e ele estava fazendo com que eu me sentisse querida. No fundo, ele também estava mal, e eu também o queria.
Eu tinha me decepcionado mais uma vez aquele dia e fui em busca de carinho no seu apartamento. Ele já sabia que eu não queria conversar, não queria falar, muito menos ouvir. Estava a procura de proteção, segurança.
Depois de muitos minutos passados na mesma posição, ele sentado e eu em seu colo chorando, virei para o lado e deitei na cama. Ele me acompanhou, abraçando-me por trás. Cena que também se repetiu por algum tempo.
Minhas lágrimas eram intermináveis. Virei-me para Bernardo na esperança dele cessar meu choro. Ele apenas fixou o olhar em mim de tal maneira que fez meu choro parar instantaneamente. Algo estava acontecendo e nós dois percebemos.
Lentamente Bernardo colou seus lábios nos meus, o que não demorou devido a nossa proximidade, em um beijo intenso e cheio de vontade. Coloquei a mão em sua nuca e emaranhei meus dedos em seus cabelos.
Toda essa eternidade que não durou nem um minuto foi interrompida quando ele soltou minha cintura e recuou. Levantou da cama e encostou na janela. Eu fiquei um tempo sem entender e a decepção me atacou pela segunda vez em um mesmo dia.
Encostei ao seu lado na janela, para onde fugiu e vendo os carros passarem perguntei o porque da pausa tão inesperada. E ele disse que me queria sim, mas que seu melhor amigo também, e não podia fazer isso com ele. Estava gostando de Bernardo, não pude tê-lo decentemente, porém ele me provou que é um amigo maravilhoso.
Muitas vezes me senti mal, muitas vezes chorei, sentia dor. Deixava de me sentir ao me despedaçar. Por muitas vezes meu coração foi partido e iludido por alguém. As pessoas não percebem isso, pois uma das maneiras que eu tenho para enfrentar e superar é ser alegre. É como uma válvula de escape, quanto mais desesperado e com medo, mais brincalhão e alegre. Esses obstáculos fizeram de mim um homem diferente, sou mais inseguro, não confio nas pessoas, não tenho sentimentos, tenho sede de vingança. Penso todo tempo que estão armando pra mim e vivo pronto pra contra-atacar. Não consigo acreditar que os outros me amem, me admirem, ou ao menos me achem bonito ou atraente. Seduzi. Iludi muitas pessoas para esquecer minhas dores. Não nego que me sentia superior, mas nada mudou o que aconteceu comigo. Tentei deixar isso de lado e focar nas palavras. Sempre que algo me deixava pra baixo, eu escrevia. Criava historias contando o que acontecia comigo ou o que eu esperava que fosse acontecer e aos poucos esse refugio se tornou uma paixão. Mas como o que sempre fiz com tudo que envolvia meus sentimentos, escondia todos os textos. Mas o sonho de publicá-los algum dia era enorme até desanimarem outro sonho. Minha irmã tirou seu primeiro dez em uma redação, confesso eu que sem fundamento e nem sentimento nenhum, e virou a escritora da família. Ela é a que melhor escreve. Não tem espaço para outro. Por muito tempo desisti e foquei em deixar as pessoas felizes, coisa que agora não consigo mais abandonar. Sempre bem humorado, converso, faço os outros rirem e os ajudo com qualquer problema. Enfrento as dificuldades dos outros melhor que as minhas, talvez porque, com as dos outros, não seja só eu resolvendo. Por trás de uma pessoa misteriosa, pode estar escondido um coração partido e sozinho.
Eu estava encostada na parede do lado de fora do bar. Lá dentro, todos bebiam, dançavam e se divertiam. E eu me sentia completamente fora do meu ambiente.
Marcos chegou e encostou do meu lado, não me olhava, mas sussurrava como quem não diz nada.
- Eu não aguento mais!
- Não aguenta mais o que? - olhei-o rapidamente.
- Ter encontros de familia e ser acompanhado por uma mulher que não é você.
- Ela é a sua mulher, e isso já tem um tempo né. Eu sou uma pessoa que você gosta da companhia apenas.
- Não, não é. Você é apenas a mulher que eu queria que fosse minha, que tem os beijos que eu queria que fossem meus, que tem o toque que eu queria que fosse meu.
- Isso a gente pode negociar. - fiquei na frente dele, olhando seus olhos - Posso me emprestar pra você de vez em quando. - pisquei e fui em direção a entrada do bar.
- Você consegue mesmo me deixar louco. E parece que gosta disso. - disse ao meu ouvido enquanto vinha atrás de mim.
Dei um sorriso muito malicioso e entrei no bar.
Uma tarde em uma praia deserta, a chuva fina cortando as nuvens acinzentadas. Eu e você sentados no chão da varanda de uma cabana olhando o mar ao som baixo de um reggae relaxante. Ninguém sabe o nosso paradeiro, ninguém vai nos procurar. O mundo para, só resta eu e você.
E a dor? E o medo? E o sofrimento? E nossas lembranças? E tudo o que a gente viveu? Isso não pode ir embora assim, não pode acabar. Uma pessoa não pode simplismente deixar de existir de uma hora pra outra.
A dor de não ter você por perto pra me abraçar, me beijar, pra brigar comigo quando eu fizer besteira, pra rir comigo, me ensinar as coisas… O medo de acordar todos os dias e sofrer quando entrar no seu quarto e ver que você não está lá.
Querer te contar um segredo, compartilhar uma alegria, contar dos meus namorados, das minhas notas e você não estar lá pra ouvir. Chegar em casa e esperar que você esteja lá de braços abertos pra me receber e perguntar como foi meu dia e perceber que nunca vou ter isso de volta.
De tudo que a gente passou nada vai voltar. Tudo que não fiz por você, todas as palavras que não disse, aquele pedaço de chocolate que eu te recusei. Se pudesse voltar no tempo faria tudo, diria tudo, te daria todo chocolate do mundo.
A maneira de eu olhar pra alguém tão mais alto que eu, tão incrível, tão heroico que eu nunca vou ousar usar com mais ninguém. O abraço que me envolvia toda, me dava segurança, me aconchegava que não vou sentir de mais ninguém.
Não é como perder alguém que você pode reconquistar, não é como sofrer momentaneamente por alguém que te magoou, é perder alguém que não escolheu te abandonar pra sempre. Sofrer pra sempre.
Fico feliz por ter momentos pra relembrar, e por terem sido maravilhosos, mas dói saber que nunca vou tê-los de volta.
Sinto falta de um abraço e de palavras doces e picantes sussurradas ao meu ouvido. Sinto falta de algum toque, de um sorriso.Sinto falta de uma loucura. Uma agitação que está presa dentro de mim quer a qualquer custo se libertar.
Eu quero você. Não importa se você é homem ou mulher. Alto ou baixo. Magro ou gordo. Negro ou branco. Eu quero sua essência, seu conteúdo. Não quero somente o embrulho. Quero suas emoções, seus sentimentos, seu toque. Não quero um relacionamento superficial, quero você intensa e profundamente.